O Teatro Viriato estreia esta sexta-feira a peça “2062”, do projeto K Cena, com uma sessão de apresentação ao público já esgotada, marcada para as 19h do dia 17 de abril.
Descrito pelos próprios criadores como um verdadeiro “murro no estômago”, o espetáculo apresenta uma visão distópica de um futuro em que as emoções foram banidas. A narrativa decorre num universo altamente controlado pela tecnologia, onde os comportamentos humanos são regulados e a aparente ordem esconde um profundo vazio emocional.
Inspirado na obra clássica “1984”, de George Orwell, o ponto de partida surgiu de uma vontade antiga do encenador João Branco, que falou em exclusivo à Rádio Jornal do Centro.
O encenador destaca ainda a atualidade do romance.
O texto foi escrito por um grupo de 14 adolescentes de Viseu e baseia-se em cartas escritas no presente para serem abertas em 2062. Nessas mensagens preservam-se emoções como o afeto, a dúvida e o desejo de liberdade, que acabam por desafiar o sistema vigente.
Mais do que transmitir uma mensagem única, João Branco sublinha que o objetivo do espetáculo é promover a reflexão.
Essa reação foi visível na sessão destinada a escolas, realizada esta manhã, onde vários alunos comentaram o impacto do espetáculo e debateram entre si os temas abordados.
A forte adesão do público é vista com entusiasmo, mas também com sentido de responsabilidade.
O encenador aponta vários fatores para a procura, desde o envolvimento dos jovens no projeto até à atualidade do tema e à renovada atenção em torno de George Orwell.
O espetáculo cruza o teatro com uma forte componente audiovisual e integra ainda poemas do autor cabo-verdiano Daniel Filipe.
João Branco destaca também a exigência da produção e o empenho do elenco.
Antes da estreia para o público geral, está prevista mais uma sessão na quinta-feira, 16 de abril, destinadas a alunos do 3º ciclo, ensino secundário e superior e outros grupos organizados.







